13 maio 2020

Cidadania: Regras de convivência e responsabilidades

Em nossa primeira publicação, conversamos um pouquinho sobre a importância de respeitar o tempo de desenvolvimento de cada criança. Mas respeitar o tempo não significa estabelecer barreiras que nunca serão transpostas ou protegê-la exageradamente, condicionando-a à dependência: é compreender que ela possui sua história, suas características, necessidades e também seus potenciais. Afinal, para que continue avançando e construa seus próprios conhecimentos, o pequeno também deve "passar dos limites".


Quando comumente dizemos que uma criança está "passando dos limites" logo relacionamos a questões negativas e não que está caminhando para a sua própria independência e autonomia. De acordo com o pesquisador e professor Yves de La Taille, existem três tipos de limites: um deles é justamente aquele que deve ser transposto e tem a ver com a maturidade e superação de capacidades.

Observemos um bebê de 6 meses, “de quatro”, tentando, ainda em vão, engatinhar: ele move o corpo com gestos bruscos, resmunga, demonstra mau humor; quer deslocar-se para frente e não consegue, eis o seu limite. Mas ele insiste, experimentava vários movimentos até que, finalmente, ultrapassa a fronteira e engatinha. Alguns meses mais tarde, cena semelhante se repete quando ele tenta andar. Anos mais tarde, vemos essa criança orgulhosa por poder participar da vida dos adultos, ajudando em casa; mais tarde ainda, vemo-la impondo fronteiras para proteger sua intimidade, demonstrando pudor e recato e exigindo ser tratada como “gente grande”. Durante toda a infância, assistiremos a cenas desse tipo, nas quais a criança se esmera para fazer algo ainda difícil devido às limitações de sua idade. Essa é a mola afetiva do desenvolvimento: ampliar os horizontes, ter êxito no que era antes impossível, compreender coisas antes inexistentes ou misteriosas, impor a própria individualidade; numa palavra, transpor limites. (Limites: três dimensões educacionais. São Paulo: Ed. Ática, 2008. p. 13 e 14).

É claro que, para convivermos harmoniosamente em sociedade, temos que seguir uma série de leis, ordens e normas: com a criança não deve ser diferente! No vídeo de hoje, as professoras Carla Bregola e Fernanda Fusco trazem como uma de suas propostas a construção das regras de convivência para e com a família: reservem um tempo para pensarem juntos, dialogarem e estabelecerem combinados que todos deverão segui-los, inclusive os adultos. E não se surpreenda caso seja cobrado futuramente: é através de nossos exemplos que a criança também aprende! De acordo com La Taille, nossas crianças "precisam de princípios, e não só de regras": lembrem-se de sempre revisarem e serem flexíveis, adaptando de acordo com suas necessidades.

Assistam juntos ao videoclipe da música Tem que limpar, da banda Jacarelvis!

É importante lembrar que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o tempo de tela para crianças de 4 a 5 anos (seja de celulares, computadores ou televisores) deve ser de, aproximadamente, 60 minutos ao dia!

Quando atribuímos responsabilidades à criança sem julgá-la ou condená-la, compreendemos seus limites, enxergamos seu potencial e a ajudamos também a avançar: a segunda proposta é envolver o pequeno nas tarefas domésticas diárias. A partir das falas das professoras e das crianças no vídeo, pergunte: O que você já faz para manter a nossa casa limpa e organizada? O que você poderia fazer para contribuir ainda mais? Você acha que a divisão de tarefas em nossa residência (entre homens, mulheres e crianças) está justa? Discutam juntos para, quem sabe, mudar também alguns hábitos! Na internet, circula uma série de tabelas com sugestões para as diferentes faixas etárias: a professora Carla traz algumas a partir de figuras e você também pode descobrir mais clicando aqui ou aqui!

Transferir responsabilidades por suas ações também é um ato de cuidado e amor e ajuda a criança a crescer de forma saudável e feliz! Deixamos também como sugestões os vídeos cidadania para crianças e regras de convivência! Conte para nós, através dos comentários, como se desenvolveu as propostas na casa de vocês e quais outras regras e tarefas também sugerem!

Texto, roteiro e seleção dos materiais: Carla Bregola e Fernanda Fusco
Participação: Carla Bregola, Fernanda Fusco e crianças
Contribuição: Cláudia Labate
Publicação, vinheta e edição do vídeo: Fernanda Fusco
Trilha sonora: Daily Beetle (Kevin MacLeod - Incompetech)
Efeitos sonoros: FreeSound.org

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