15 junho 2020

Você já escutou seu filho ou sua filha hoje?

Você já escutou seu filho ou sua filha hoje? A resposta pode ser simples e natural. “Claro, como assim? Escuto desde que acorda”. Mas estou falando da escuta afetuosa e atenta, a escuta de suas expressões, seus gestos, sentimentos, de seus sorrisos, birras, silêncios. A escuta dos desenhos, brincadeiras, bagunças. Você pode estranhar novamente e me dizer, “Mas isso tudo a gente vê, e não escuta”. Então vou te ajudar a entender melhor essa história.



Há alguns anos a expressão “escuta da criança” ganhou uma nova definição. Não significa apenas escutar um som com atenção, perceber o que aquele som transmite. Escutar a criança significa muito mais. É sim, ter atenção. Mas a um mundo todo de manifestações que os pequenos nos transmitem constantemente. Podemos provocar diálogos muito interessantes, que são fundamentais e deliciosos. Mas devemos ir muito além disso. Para tanto, deixe sua sensibilidade à flor da pele para essa escuta deles e sua disponibilidade sempre aberta a qualquer brecha possível. Não, com certeza não me esqueço que nossa rotina é corrida e cansativa, e que na maioria das vezes nos priva dessa interação que gostaríamos de sempre colocar em primeiro lugar. Mas o esforço nesse objetivo deve ser permanente. Como disse, aproveite pequenas brechas, alguns minutos distribuídos ao longo de cada dia, uma hora ou uma tarde inteira juntinhos, seja como puder, mas que tenha muita qualidade nessa interação, nessa escuta. E qualidade indica entrega, afeto, participação, percepção, observação, respeito. Mesmo que por pequenos momentos. Estar ao lado não significa estar junto. A criança precisa do olho no olho, sentir-se acolhida. Quando vir seu desenho, interprete junto com ela. Quando contar uma história, estimule de forma sutil que ela expresse suas opiniões sobre o que ouviu ou que ela reconte. Provoque uma criação de história, um relato de seu dia ou de algo que lhe foi marcante. Brinque junto, assuma seus personagens num jogo simbólico, aquele em que irão representar “de mentirinha”, pessoas ou situações reais do cotidiano. Outras vezes, fique apenas observando. Tudo isso e mais tantas outras maneiras da criança se expressar, sempre carregam enormes pistas do que a criança pensa, sente, espera, faz.

Mas, tenha claro que escutar e respeitar a criança não quer dizer que devemos atender todas as suas vontades. Nessa relação saudável que a escuta atenta e a garantia do protagonismo e autoria da criança traz é fundamental mantermos o papel de adulto quando percebemos que é necessária nossa intervenção negativa à vontade da criança. E a forma mais positiva para tanto é receber a mensagem da criança, acolhê-la e conduzi-la à reflexão e tomada de decisão. Se essa decisão ainda não for favorável ao seu bem-estar individual ou relativo ao meio e ao outro, saiba que aprender a lidar com a frustração também tem papel extremamente importante no desenvolvimento da criança e do cidadão.
O momento que estamos vivendo agora requer maior empenho nesse exercício de escutar as crianças nesse sentido amplo, construtivo e fundamental. A experiência de viver em isolamento social em decorrência da pandemia de COVID-19, conviver com os medos, expectativas e consequências que esta realidade causa nos adultos é tão angustiante e assustador para as crianças quanto para os adultos. Na maioria das vezes eles só não demonstram como nós. O confinamento em ambientes pequenos, o afastamento da escola, dos parques, dos “passeios” ao mercado, feira, shopping, entre outros.  As novas regras de higiene que são repetidas de forma atordoante pelos adultos, a privação do contato físico com outras crianças, amigos, professores e outros familiares e principalmente, em alguns casos, saber lidar com a perda de um ente querido pela doença pode causar grandes transtornos na interpretação que a criança faz de seu mundo, de seu cotidiano, de suas relações.


No vídeo, trouxemos algumas dicas de perguntas para escutar as crianças. Que tal fazer o mesmo com o seu(sua) pequeno(a)? Uma dica: para que seja ainda mais espontâneo, caso queira gravar, deixe o celular ou a câmera escondidos!

Mas, como acredito muito que tudo tem um lado bom, mesmo que embaçado por duras realidades, há também muitas crianças que estão desfrutando com alegria e prazer a oportunidade de pela primeira vez passarem tanto tempo com atenção quase que exclusiva de seus pais. Quantos de vocês vivem a experiência de dividir a educação de seus pequenos desde os primeiros meses de vida com a escola, creche, avós, babás, entre outros. E sentem o peito apertar quando lembram que, em muitos casos, os filhos passam mais tempo com estas outras pessoas e lugares do que convivendo com vocês? Não devemos nos sentir culpados por isso. A vida na sociedade da qual fazemos parte requer tanto esforço. Então, é muito natural encontrarmos várias crianças que atualmente não se sintam angustiadas por estarem tanto tempo em casa. Ao contrário, estão aproveitando este estreitamento do laço mais forte que tem em suas vidas. Aproveitem vocês também!

Em nosso documento oficial que normatiza nosso trabalho educacional, o Currículo da Cidade – Educação Infantil, você encontra mais informações e detalhes sobre este assunto. Lá, há muitas referências ao papel das escolas e profissionais da educação. Mas são perfeitamente apropriadas as relações da criança com qualquer outra pessoa, outro ambiente. No capítulo 1, item 1.2.3., você poderá compreender o que é a educação integral do indivíduo, que tem a escuta como um dos fatores essenciais, e como podemos promovê-la. E o capítulo 2, item 2.1.2, trata das relações com bebês e crianças e como construir essa escuta de que falei um pouquinho pra você. 

“ [...] uma prática pedagógica integradora parte da escuta, da observação, da conversa numa atitude de respeito, dignidade e acolhimento. ”
“ [...] a atitude de escuta cria um sentimento de segurança e de pertencimento que favorece o seu bem-estar na Unidade Escolar. ”

Em todas as propostas oferecidas no caderno Trilhas de Aprendizagem você tem oportunidade de se divertir e aprimorar essa escuta das crianças. Não deixem de consultar e vivenciar.


Desafio #2 Escutar as crianças...algumas possibilidades

Nesta Live, Joseane Pareja, Rita Cardoso e Eliana Sisla dão dicas preciosas de como é possível colocar essa escuta atenta e afetuosa em prática com nossos pequenos (as). Não deixe de conferir!


Não se esqueça de fazer filmagens, tirar fotografias e enviar via WhatsApp! Vocês podem também nos encontrar no Google Classroom (para aprender a acessar, clique aqui)! Convidamos todas e todos a preencher o nosso questionário: ele nos dará pistas para descobrir como poderemos auxiliá-los neste momento tão complicado!

Roteiro, seleção de materiais e texto: Daniely Nobre
Participação: Bernardo, Heloísa, Guilherme, Valentina, Pedro, Arline Midori, Carla Bregola e Nabile Claro
Edição do vídeo e vinheta: Fernanda Fusco
Efeitos sonoros: FreeSound.org
Trilha sonora: Daily Beetle (Kevin MacLeod - Incompetech)

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