20 agosto 2020

Cerâmica: Uma herança dos povos indígenas

Olá! Os povos indígenas são a essência do povo brasileiro e de sua cultura. Hoje vamos nos aproximar um pouquinho da arte cerâmica de alguns povos indígenas do nosso país. A cerâmica, produzida principalmente pelas mulheres, tem como base o barro coletado nas margens dos rios em período de seca. Sem ferramentas elaboradas e com um trabalho manual minucioso, as mulheres da aldeia criam recipientes e esculturas. E costumam pintar e decorar com formas geométricas e padrões gráfico, muito específicos e característicos de cada povo. 

A cerâmica, também pode ser conhecida como a arte do fogo. Haja vista que depois de modeladas as peças de barro(argila), passam por um processo de queima, o que garante a rigidez e o acabamento das peças. Nos mais diversos povos indígenas, as peças em cerâmica são produzidas para facilitar o dia-a-dia na aldeia, assim como copos, pratos e potes para armazenar os alimentos. As peças são pintadas com pigmentos encontrados na natureza, como o urucum, por exemplo. Já os desenhos são feitos com gravetos. Em alguns povos também são encontrados brinquedos feitos de cerâmica para as crianças. 



Para nós (povo não-indígena) a cerâmica é vista como arte, tem seu valor estético muito valorizado, em jóias e elementos de decoração, já para os povos indígenas é visto de modo mais utilitário (facilitar a vida cotidiana). E passa de geração em geração, é na verdade uma tradição. Em muitos povos as peças em cerâmica são comercializadas na própria aldeia ou em feiras de divulgação da arte indígena. 

O saber é corporal e que o agregamos pela capacidade humana de sentir com o corpo. Tudo é apreendido primeiramente pelos sentidos, pois, ao olhar, tocar, cheirar, ouvir, saborear, o corpo dá conta desses registros. O conhecimento da arte para a criança é a oportunidade de mergulhar em um mundo cheio de oportunidades sensíveis e expressividades. Para tanto, é importante a compreensão dos fazeres e desejos infantis. Duarte Júnior.

Sentir com o corpo, é isso! Você sabia que dar formas à argila proporciona as crianças uma experiência incrível e potente, além de muito rica numa perspectiva sensorial? Sim, sim! Por ser uma materialidade maleável, a argila permite a exploração tátil para a estruturação e reestruturação de formas, sendo um excelente meio de estimular a criatividade e desenvolver a coordenação motora fina, estimular a concentração e especialmente permitir a exploração tátil. Sem falar que acalma e colabora no processo de autoconhecimento.

A modelagem com argila ou outras possibilidades de "massa" convida a atenção das crianças para formas, dimensões e texturas. Dessa maneira, permite que as(os) pequenas(os) tenham um maior contato com os sentidos e desenvolvam a percepção tátil e a psicomotora, fatores importantes na sua formação integral. Ao trabalhar com a argila vale tudo... vale bater, enrolar, furar, torcer, beliscar, amassar, puxar ou alisar com os dedos molhados. Após a modelagem, cabe ainda desenhar e pintar sua obra. 

Combinações materiais perfeitas com argila (ou outras "massas")
Elementos naturais como: 
-gravetos, pedras, folhas, sementes

Elementos de largo alcance (não estruturados) como: 
-esponjas, fios, conduítes, rolinhos de papelão, varetas, palitos, arames, lantejoulas, canos de PVC, fitas, tampas diversas e tantos outros que a imaginação pedir. Encontre mais ideias no portal TempoJunto.


Em seus estudos, Lemos e Zamperetti concluem que amassar e dar forma à terra são gestos primitivos que influem consideravelmente na coordenação de todos os movimentos. Quando trabalhamos o barro, criamos pequenos projetos que buscamos realizar. Nesse percurso, ocorrem desequilíbrios (a argila não para em pé, se quebra etc) que demandam ações de reorganização da massa, o que mobiliza nossa persistência em busca de soluções,  a confiança e o domínio corporal para concluir o projeto.  Sendo uma forma de expressão simbólica e lúdica , o ato de manipular o barro torna-se além de educativo, uma forma prazerosa de expressão, e a tridimensionalidade passa a representar um novo conhecimento adquirido pela criança.

A argila é realmente uma materialidade muito potente, faz com que seja possível nosso encontro com a terra, nossa conexão com a natureza. Sem falar na satisfação e tranquilidade sentidas pelas crianças, já que a plasticidade do material permite que a obra seja destruída e reconstruída com facilidade, como nos diz Rosa Iavelberg. 

Desafio #1: Um pouco de história   

Vamos conhecer um pouco do processo de criação da cerâmica indígena, contada pelo professor Nei Leite, que acredita na valorização de práticas tradicionais, como a cerâmica, para fortalecer a identidade indígena do seu povo Xakriabá.

Desafio #2: História A menina de Argila

Contada lindamente por Carol Levy, vamos conhecer a história "A menina de argila". Depois de conhecer a história, você também poderá construir uma personagem de argila e então criar sua história e contar ela para sua família. Use toda a sua criatividade e os materiais que você tem aí na sua casa e boa brincadeira.

 

Assim como todas as nossas propostas aqui no blog, os desafios não são de caráter obrigatório e nem precisam ser realizados em um mesmo dia, são sugestões para dar continuidade a temática abordada, para diversificar a rotina, mantermos a nossa conexão com a escola e que podem ser complementadas de acordo com suas necessidades!

Não se esqueça de fazer filmagens, tirar fotografias e enviar via WhatsApp! Vocês podem também nos encontrar no Google Classroom (para aprender a acessar, clique aqui)! Convidamos todas e todos a preencher o nosso questionário: ele nos dará pistas para descobrir como poderemos auxiliá-los neste momento tão complicado!

Roteiro, texto, seleção de materiais, edição de vídeo e gif: Daniela Maia  
Vinheta: Fernanda Fusco
Efeitos sonoros: FreeSound.org
Trilha sonora: Daily Beetle (Kevin MacLeod - Incompetech)

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