26 agosto 2020

Crepioca: Uma inspiração na culinária indígena:

Olá! Quantas e quantas coisas estamos aprendendo acerca dos povos indígenas, não é mesmo?! Seus artesanatos, suas músicas e danças, suas brincadeiras, sua relação com a natureza e, o mais importante, o quanto cada povo, cada etnia tem a nos ensinar sobre seus modo de vida e cultura. Hoje vamos nos aproximar um pouquinho da arte culinária indígena. Sim! Cozinhar é uma arte! Envolve processos, desde o plantio, passando pela colheita e forma de preparo até chegar à mesa. E assim como tudo que os povos indígenas fazem, a comida também também é regada de histórias, rituais e significados.


Os hábitos alimentares dos povos indígenas, assim como a pintura corporal e os cantos por exemplo, mudam de região para região, de povoado para povoado, mas o que não muda é o enorme respeito que têm pela natureza, pela terra e pelos frutos que ela dá. Sua alimentação é baseada fundamentalmente em frutos, raízes, grãos e sementes advindos de seu cultivo. E a partir daí surgem os subprodutos, como no caso da mandioca que, depois de um processo manual, "vira" goma, farinha e traz uma gama de possibilidade de preparo, como bijus, pães e bolos, para além de seu consumo em caldos e cozidos, por exemplo. A culinária é mesmo uma grande alquimia!


É inegável que o processo de alimentação é cultural, desde a seleção dos alimentos, seu preparo, sua apresentação e finalmente sua partilha. E assim como afirma Maciel (2004), alimentar-se é muito mais que um ato biológico, a alimentação humana é um ato social e cultural, sendo que a alimentação implica representações e imaginários, envolve escolhas, classificações, símbolos que organizam as diversas visões de mundo no tempo e no espaço. Vendo a alimentação humana como um ato cultural, é possível pensá-la como um “sistema simbólico” no qual estão presentes códigos sociais que operam no estabelecimento de relações dos homens entre si e com a natureza. Daí porque em cada região, cada cantinho do mundo se consome alguns alimentos e outros não, variando-se ainda os modos de preparo e apresentação, assim como é o caso do peixe cru (culinária japonesa) ou até mesmo do abacate (consumido em saladas ou sobremesas dependendo da herança cultura). 

Entender a alimentação como identidade cultural significa compreender suas relações não apenas em função do código cultural de uma sociedade, mas também as imbricações que envolvem espaço e território, percebendo a diversidade de grupos sociais com relação a seus hábitos, modos de produção e consumo (GANDARA, 2009).  

 
Com tudo isso, do simbólico ao cultural, na culinária, a herança indígena está presente fundamentalmente nos inúmeros pescados e em pratos típicos como o pirão, na erva-mate, no açaí, na jabuticaba e na mandioca. E por falar em mandioca é nela que iremos descansar nossa atenção. Hoje vamos preparar uma deliciosa Crepioca, que tem como base a goma de tapioca. Ah! Essa receita é uma boa oportunidade de introduzir alimentos "coloridos" e saudáveis, como a cenoura, o milho e a salsa na alimentação das crianças. Sem falar que elas podem participar de todo o processo. Vamos anotar os ingredientes!

Mãos na massa:
Misture bem com um garfo, 2 a 3 minutinhos, todos os ingredientes acima. Depois, numa frigideira, coloque a mistura e deixe dourar de um lado e de outro. Nesse momento você deve pedir ajuda de um adulto. 
Dicas:
Você pode "rechear" como preferir, com atum, com frango, com presunto e queijo, só queijos. Pode também fazer crepioca doce, acrescentando banana ou maça, leite condensado ou açúcar, chocolate ou doce de leite ao ovo e a goma de tapioca. 


Desafio #1: Com a palavra Daniel Munduruku 

Vamos ouvir Daniel, indígena do povo Munduruku, nos contando um pouco da culinária do seu povo, seus processos e aproximação da cultura e do tempo. Com a palavra, Daniel Munduruku:

Assim como todas as nossas propostas aqui no blog, os desafios não são de caráter obrigatório e nem precisam ser realizados em um mesmo dia, são sugestões para dar continuidade a temática abordada, para diversificar a rotina, mantermos a nossa conexão com a escola e que podem ser complementadas de acordo com suas necessidades!

Não se esqueça de fazer filmagens, tirar fotografias e enviar via WhatsApp! Vocês podem também nos encontrar no Google Classroom (para aprender a acessar, clique aqui)! Convidamos todas e todos a preencher o nosso questionário: ele nos dará pistas para descobrir como poderemos auxiliá-los neste momento tão complicado!

Roteiro, texto, seleção de materiais, edição de vídeo e gif: Daniela Maia  
Vinheta: Fernanda Fusco
Efeitos sonoros: FreeSound.org
Trilha sonora: Daily Beetle (Kevin MacLeod - Incompetech)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

https://1.bp.blogspot.com/-6XvqrgRUtmE/XpAnsq0hy8I/AAAAAAAAOMM/XQaf2shwZRQ_UjLVPe3AFHYV0yisWRzRACLcBGAsYHQ/s1600/footer2.png