16 setembro 2020

Cor da pele de quem?

Quando alguém pede para emprestarmos o lápis "cor-de-pele", logo associamos a qual cor? Ao bege, ao rosa, mas geralmente nunca pensamos em qualquer outra, não é? No ambiente escolar, é muito comum ouvirmos esse termo e, com o objetivo de questionar e desconstruirmos o conceito, as professoras Carla Bregola e Fernanda Fusco prepararam um vídeo com a participação de Guilherme, Heloísa, Valentina, além do nosso querido ex-aluno Taylor! Vamos conferir?

A proposta do vídeo é apenas o início de uma discussão que pode continuar em casa e sempre ser retomada cada vez que houver a necessidade. É importante lembrar que, de acordo com alguns estudiosos do desenvolvimento e aprendizagem, as crianças aprendem através da geração de conflitos cognitivos; ou seja, não basta apenas explicarmos, corrigirmos ou mostrarmos determinados materiais esperando que os pequenos simplesmente "absorvam" (neste caso, é possível até que repitam o que falamos apenas para nos agradar). Para que aprendam de fato, as crianças devem ser levadas a questionar suas próprias concepções para assim problematizar e chegar a alguma resolução. No caso do lápis "cor-de-pele", por exemplo, podemos contrapor suas ideias elaborando perguntas (e não entregando respostas prontas):

  • "Cor-de-pele?" A cor deste lápis é a mesma cor da sua pele?
  • Quantos amigos você conhece com esta cor de pele? E quantos têm a cor diferente?
  • Veja estas imagens: este lápis tem a cor da pele de todas estas pessoas?
  • Observei que no seu desenho você pintou todas as pessoas de cor-de-rosa. No mundo, as pessoas só têm esse tom de pele?
  • Quais outras cores de pele que você conhece? Vamos pesquisar algumas outras?
  • Se este lápis não tem a cor da pele de todas as pessoas, por que chamamos de "cor-de-pele"?
  • Será que devemos mudar o nome deste lápis? Como você chamaria?
  • Que outras cores de lápis podem representar a cor de pele das pessoas?


Uma de nossas vivências artísticas utilizando gizes-de-cera com diferentes cores de pele

Embora os materiais convencionais ainda não apresentem uma grande variedade de cores para representar os diferentes tons de pele (e podemos levar as crianças a refletir sobre essa falta também!), existem empresas especializadas em produtos de desenho que já estão produzindo caixas de lápis-de-cor ou giz-de-cera com o propósito de abranger um número maior de tons, especialmente os mais escuros. Vale a pena dar uma pesquisada!

Desafio #1: Amoras, por Emicida

Amoras é o primeiro trabalho de literatura infantil do rapper Emicida. Nele, o artista escreve de forma poética uma conversa que teve com a sua primeira filha, Estela, enquanto estavam embaixo de uma amoreira. Pra comemorar o fato de entrar na lista de livros mais vendidos, lançaram também uma versão animada! Aproveitando que ontem ouvimos a história de Nelson Mandela, que tal pesquisarem também sobre as personalidades mencionadas no vídeo?

Assim como todas as nossas propostas aqui no blog, os desafios não são de caráter obrigatório e nem precisam ser realizados em um mesmo dia, são sugestões para dar continuidade a temática abordada, para diversificar a rotina, mantermos a nossa conexão com a escola e que podem ser complementadas de acordo com suas necessidades!

Desafio #2: Menina Pretinha, por MC Soffia

Graças à sua mãe, MC Soffia participava de eventos culturais, rodas de debate e oficinas do movimento negro desde muito pequena. Por conta disso, passou a se familiarizar com a cultura negra brasileira e, aos três anos, começou a compor. Suas canções tratam sobre questões como preconceito, racismo, machismo e incentivam as garotas a se amarem do jeito que são. Confiram abaixo a música Menina Pretinha: vocês podem anotar algumas palavras que não conhecem (como boneca makena ou griô, por exemplo), tentar adivinhar o que significam e, em seguida, pesquisarem na internet ou em um dicionário! Que tal?

É importante lembrar que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o tempo de tela para crianças de 4 a 5 anos (seja de celulares, computadores ou televisores) deve ser de, aproximadamente, 60 minutos ao dia!

Desafio para gente grande: Refletindo sobre cores de pele

Para que continuemos essa nossa reflexão, deixamos também duas dicas de vídeos para os adultos: o primeiro deles é uma palestra para o TEDx onde a professora Gladis Kaercher, iniciando com relatos de racismo em sua própria infância, questiona a respeito do termo "cor-de-pele" e discute acerca da representatividade na escola.

O segundo material é o documentário Skin, produzido pela atriz Beverly Naya, que volta ao seu país de origem, a Nigéria, e, dentre suas abordagens, reflete sobre a representação da pele negra na mídia e a indústria cosmética que incentiva mulheres pretas a clarearem suas peles. Embora o trailer abaixo esteja inteiramente em inglês, é possível encontrar o documentário legendado na plataforma Netflix.

Ao longo do vídeo produzido por Carla Bregola e Fernanda Fusco, as professoras trazem algumas imagens do projeto Humanæ da fotógrafa brasileira Angélica Dass. Amanhã a professora Arline Midori trará uma proposta muito bacana tendo essa artista como ponto de partida!

Roteiro, texto e seleção de materiais: Carla Bregola e Fernanda Fusco
Vinheta e edição do vídeo: Fernanda Fusco
Participação: Guilherme, Heloísa, Taylor e Valentina
Efeitos sonoros: FreeSound.org

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