10 agosto 2020

Roda da conversa: Povos Indígenas

Vocês sabiam que ontem, dia 09 de Agosto, foi Dia Internacional dos Povos Indígenas? A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o intuito de garantir condições minimamente dignas aos diferentes povos, especialmente a interrupção de ataques sofridos em seus territórios. Anos depois, a mesma organização publicou a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Considerando a data e com o objetivo de refletir acerca das diversas etnias indígenas de nosso país, nossa equipe organizou para as próximas semanas uma série de desafios (que serão publicados diariamente aqui no blog) para realizarem em casa, com as crianças! Para introduzir o tema, a professora Fernanda Fusco preparou um vídeo propondo uma roda de conversa em família, para que inicialmente as crianças levantem suas hipóteses!

As perguntas foram elaboradas justamente para contestarmos aquele estereótipo (ou seja, uma imagem preconcebida, generalizada e padronizada) de índio reforçado ao longo de anos, especialmente através das escolas - onde as crianças tinham seus rostos pintados, confeccionavam cocares de papel, emitiam sons batendo na boca e aprendiam que esses povos andavam pelados e eram selvagens. De acordo com Daniel Munduruku, indígena e doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à BBC Brasil

(...) a palavra índio perdeu o seu sentido. É uma palavra que só desqualifica, remonta a preconceitos. É uma palavra genérica. Esse generalismo esconde toda a diversidade, riqueza, humanidade dos povos indígenas. Quando a gente usa a palavra índio, estamos nos reportando a duas ideias. Uma é a ideia romântica, folclórica. (...) Aquela figura do desenho animado, com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo. Há a percepção de que essa é uma figura que precisamos preservar, um ser do passado. Mas os indígenas não são seres do passado, são do presente. A segunda ideia é ideologizada. A palavra índio está quase sempre ligada a preguiça, selvageria, atraso tecnológico, a uma visão de que o índio tem muita terra e não sabe o que fazer com ela. A ideia de que o índio acabou virando um empecilho para o desenvolvimento brasileiro.

Portanto, é papel da escola, inclusive da Educação Infantil, desconstruir esses estereótipos: as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 tornaram o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena obrigatórios na educação básica e o Currículo da Cidade: Povos Indígenas (2019) veio para oferecer um novo olhar acerca dos povos originários e contribuir para a formação das funcionárias e funcionários da Rede Municipal de Educação de São Paulo.

A pesquisa pela internet por imagens, trazida como um desafio no vídeo da professora Fernanda, contribuirá para que as crianças estabeleçam diferenças e semelhanças entre os povos originários e suas próprias vivências. Para complementar a pesquisa, vocês podem acessar juntos ao site Povos Indígenas no Brasil, que reúne histórias, curiosidades e muitos outros fatos.

Deixamos também como sugestão aos adultos o vídeo acima, onde Daniel Munduruku discorre sobre a diferença entre os termos índio e indígena. Continuem acompanhando nosso blog e redes sociais para mais novidades sobre a temática: na publicação de amanhã, a professora Cláudia Labate trará uma proposta sobre diferentes tipos de moradia; não percam!

Assim como todas as nossas propostas aqui no blog, os desafios não são de caráter obrigatório e nem precisam ser realizados em um mesmo dia, são sugestões para dar continuidade a temática abordada, para diversificar a rotina, mantermos a nossa conexão com a escola e que podem ser complementadas de acordo com suas necessidades!

Roteiro, seleção de materiais, edição do vídeo, vinheta e texto: Fernanda Fusco
Colaboração: Márcia Trípodi e Tatiane Cristina

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